Edição do UEMA Literatura deste domingo apresenta crônica e poesia
Por Assessoria de Comunicação Institucional em 12 de setembro de 2021
O projeto UEMA Literatura deste domingo (12), traz duas publicações: a crônica “Por trás do sonho”, de autoria do acadêmico do curso de Licenciatura em Geografia (UEMANet), Francisco Wellington dos Santos Diniz e a poesia “Guarnicê”, de autoria de Benedito Galvão, acadêmico do curso de Letras do Programa Ensinar Polo Anajatuba.
Crônica – Por trás do sonho, por Francisco Wellington dos Santos Diniz
Acordei. Escovei os dentes, tomei banho e fiz o café, forte e meio amargo. A rotina de sempre, realizada antes de ir pro trabalho; mas hoje é domingo que quer dizer dia de “rotinas”. Ou melhor, é a oportunidade de inventar outra vida que seja menos fútil, mais colorida, menos fúnebre, mais viva. Sim, mais viva! Porque a outra parece meio morta: repetição constante das coisas que dão o pão e furtam a poesia.
Sentei no sofá. Passei os olhos no tablet a fim de ver as notícias. Fulana, que fez uma novela das nove na rede Globo, traiu o marido. Mais corrupção no governo. Vi a atualização das mortes causadas por covid-19. O café esfriou. Assim como o amor pelo próximo, frio e sem sabor. Como podem orquestrar campanha anti-vacina?! Absurdo. Desliguei o tablete.
– Dez por cento de desconto! É isso mesmo que você ouviu. É a oportunidade imperdí… plufz!!! – Desliguei a televisão. Propagandas são gasolina, têm que ser evitadas mesmo ante as chamas débeis do consumidor que há em mim. O planeta grita pelo consumo inteligente, consciente. Daqui ouço-o com reverência.
Na cozinha, já preparando o almoço, escuto no rádio que o Talibã toma o controle do Afeganistão. Depois de vinte anos fora do poder político do país. É o acme do absurdo, do inimaginável, ver os direitos humanos mais essenciais serem violados. O caos é inenarrável. A leitura literal de quaisquer livros sagrados, que falam de paz e de amor, é o feitiço mais cruel, desumano. É a criação do inferno arvorada no nome de deus.
Desliguei o rádio. Tentei acordar. Mas já estou acordado há algumas horas. Talibã. EUA. Afeganistão. Deus. Alá. Vida. Morte. Desespero. Esperança. Desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem (no sentido de espécie), dor e sofrimento fazem parte dos manjares da alma humana. Desperto com o cheiro bom do feijão. Está pronto. No entanto, embrulha-me o estômago ao lembrar a notícia da rádio. Audição e olfato duelam para coroar o paladar.
– Hoje é domingo, meu rapaz! – diz meu eu interior para mim. É dia de criar, inventar, soltar a imaginação. O Talibã tá lá em outro continente. O feijão está aqui diante de mim. Também estão as brigas políticas, a corrupção, propagandas negativas… Aqui também tem os seus martírios. É hora de comer: feijão para corpo, poesia para alma. A amálgama da esperança.
Graça e paz
Saravá axé
Salaam Aleikum
(Haicai da tolerância)
Acordei. Tivera um sonho que iniciou com infortúnios; porém, antes de acordar, brotou a árvore da esperança cujo florescer de dias melhores estão por vir. É hora, portanto, de escrevê-lo.
Poesia – Guarnicê, por Benedito Galvão
Nestes tempos, trasvestir lagrimas em sorrisos,
Quando apenas queria desabafar.
Não resta outra escolha,
Temos que enfrentar.
Tempos de pesadelos e inseguranças.
Dias pesados e difíceis.
Mais vale dizer que não impossíveis,
Ainda existe esperança!
Sem o aconchego do abraço,
Sem o aperto das mãos,
Sem o sorriso melado e o carinho do irmão.
Cai-se no caminho obscuro da infeliz depressão.
Sombras que dominam o mundo.
Que estão ceifando várias vidas,
Deixando marcas e feridas.
Mas, não podemos desistir,
Alimente sua fé e faça florescer
Tenha esperança no Cristo Vivo
E com fé no coração vamos guarnicê.
Vamos cantar nossa esperança Boiera,
Sacudir nossos maracás
Bater nossos pandeiros e tambores
Fazendo ressoar nossos clamores.
Assim aliviando e vencendo as dores.
Vamos rezar nossos sonhos por dias melhores,
Tecendo o emaranhado da vida,
Que vale apena ser vivida.
Cuide-se, não deixes de viver
A vida é labuta diária
Não está sendo fácil,
Porém é chegada a hora de vencer.
Cuide dos outros, mais também de você.
Entre nessa ciranda da vida e vamos guarnicê!!!